
1. O que é uma stablecoin?
2. Como a stablecoin mantém o preço estável
3. Stablecoin x criptomoeda tradicional: diferenças na prática
4. Principais tipos e exemplos de stablecoins
5. Por que stablecoins viraram ferramenta para empresas
6. Riscos, regulação e segurança
7. Perguntas frequentes sobre stablecoins
8. Conclusão
Stablecoin é um ativo digital criado para manter um preço previsível, geralmente pareado a moedas fortes (como o dólar) ou a outros ativos de referência. Em outras palavras, é uma forma de usar a eficiência do blockchain sem carregar a volatilidade típica de criptomoedas como Bitcoin e Ether.
Na prática, stablecoins viraram ponte entre cripto e finanças tradicionais: entram em fluxos de pagamentos globais, remessas, tesouraria e operações digitais em plataformas e carteiras. Por isso, aparecem com frequência em discussões sobre inovação financeira e infraestrutura de pagamentos.
Para saber mais sobre as stablecoins, continue lendo esse artigo.
Uma stablecoin é uma “moeda estável” no universo cripto: um token que tenta manter seu valor próximo de um ativo de referência (como USD, EUR ou ouro). A proposta é simples: reduzir a oscilação de preço para viabilizar usos do dia a dia, como transferências, pagamentos e reserva de caixa.
Esse ponto é importante porque a volatilidade é uma barreira prática para operações financeiras. Quando um ativo pode subir ou cair muito em pouco tempo, ele funciona melhor como instrumento de risco/especulação do que como unidade de conta e meio de troca. A stablecoin entra justamente para preencher essa lacuna.
Além disso, stablecoins costumam ser apresentadas como um “dólar digital” em determinados contextos: um formato mais simples para acessar exposição ao dólar e movimentar valor em redes blockchain, inclusive fora do horário bancário.
A estabilidade depende do mecanismo de lastro - ou seja, dos recursos físicos e financeiros que asseguram o valor real da stablecoin - e da forma de emissão/resgate. Em modelos mais comuns, a lógica é: emitir tokens quando entra reserva e “queimar” tokens quando ocorre resgate, mantendo a paridade.
É o modelo mais conhecido: a stablecoin busca paridade 1:1 com uma moeda (ex.: 1 token ≈ 1 USD). Para isso, o emissor mantém reservas (como dinheiro e/ou títulos líquidos) e publica relatórios/atestados para sustentar a confiança na conversibilidade.
Aqui, a garantia vem de outros criptoativos, geralmente com sobrecolateralização (depositar mais valor do que o emitido) e mecanismos de liquidação para proteger a paridade quando o colateral oscila. Exemplos desse desenho aparecem em projetos descentralizados, como a stablecoin DAI, em que a estabilidade depende de contratos e regras de sistema.
Stablecoins algorítmicas tentam manter o preço com regras de oferta e incentivos, sem reservas equivalentes do ativo de referência. O histórico do mercado mostra que esse modelo pode ser mais frágil: episódios de perda de paridade (“depeg”) ajudaram a consolidar a percepção de risco em parte dessas estruturas.
Stablecoins e criptomoedas tradicionais usam blockchain, porém atendem objetivos diferentes. Criptoativos como o Bitcoin tendem a ter preço definido por oferta e demanda, com variações relevantes no curto prazo. Esse comportamento pode funcionar para estratégias de risco, mas complica o uso como “moeda” no cotidiano.
Já a stablecoin busca o oposto: previsibilidade. Por isso, costuma ser usada como meio de troca e como unidade estável para estacionar valor dentro do ecossistema cripto, sem precisar voltar ao sistema bancário a cada movimentação.
Outra diferença é a base de confiança: em stablecoins lastreadas, parte do risco está no emissor, na custódia e na transparência das reservas; em criptoativos como Bitcoin, o debate tende a girar mais em torno de rede, adoção e liquidez, sem uma promessa de paridade.
O mercado costuma organizar stablecoins por tipo de colateral:
Alguns tokens tentam refletir o preço de bens como ouro. Um exemplo recorrente é o PAXG, citado como token associado a ouro físico/custódia, permitindo exposição via blockchain.
Stablecoins como DAI são frequentemente mencionadas por operarem com colateral em criptoativos e regras de sistema (com necessidade de sobrecolateralização).
A categoria algorítmica ganhou notoriedade por riscos de sustentação da paridade em cenários de estresse. Casos como TerraUSD (UST) aparecem como referência para ilustrar o risco de “depeg” e perda de confiança.
A adoção cresce porque stablecoins podem reduzir atritos em três frentes.
Transferências internacionais no sistema tradicional podem ser lentas e custosas. Em stablecoins, a liquidação pode ocorrer 24/7, com movimentação direta em redes blockchain e integração com carteiras e plataformas. Isso é relevante para operações globais, fornecedores internacionais e fluxos de remessas.
Em mercados com volatilidade cambial, stablecoins pareadas ao dólar aparecem como alternativa para estacionar valor em “dólar digital” com menos burocracia operacional do que abrir e manter estruturas internacionais completas (embora o desenho ideal dependa de compliance, contabilidade e política de risco).
Stablecoins também funcionam como porta de entrada para serviços e protocolos do ecossistema cripto (incluindo DeFi), além de facilitar a “entrada e saída” de posições em outros criptoativos sem exposição direta à volatilidade no caminho.
Stablecoins não são “risco zero”. Os principais pontos de atenção costumam cair em três grupos.
A regulação tende a avançar conforme stablecoins ganham escala em pagamentos e infraestrutura financeira. No Brasil, ganha popularidade a discussão de projetos de lei que tratam de emissão, supervisão e exigências de prevenção à lavagem de dinheiro, incluindo o recente PL 4.308/2024.
Nos EUA, também há movimentação regulatória com proposta específica para stablecoins, como o GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins), que versa sobre a emissão e requisitos de lastro/licenças no contexto de stablecoins de pagamento.
Nem sempre. O termo “dólar digital” costuma ser usado para stablecoins pareadas ao dólar, mas existem stablecoins pareadas a euro, ouro e outros ativos.
Depende do uso. Em geral, stablecoin é mais associada a meio de troca e reserva temporária de valor do que a investimento de valorização, já que a meta é manter a paridade.
Não. Em condições normais, o objetivo é permanecer próximo da paridade. Ainda assim, pode ocorrer desvio (“depeg”) por risco de mercado, confiança, liquidez ou modelo do projeto.
USDT e USDC são consideradas algumas das mais usadas. Também aparecem exemplos como DAI (descentralizada) e PAXG (pareada ao ouro).
Em suma, a stablecoin não é apenas “mais um criptoativo”. Na verdade, ela funciona como infraestrutura financeira digital: reduz fricção de pagamentos, cria novas rotas para movimentação global e amplia alternativas de tesouraria, principalmente quando há demanda por previsibilidade de valor.
Ao mesmo tempo, a estabilidade não elimina riscos. Por isso, o tema exige leitura crítica sobre lastro, transparência, governança e regulação, especialmente em adoção corporativa. Dada sua recente popularidade e relevância, a fragilidade institucional das transações com stablecoins continua demandando atenção.
Compreender essa camada de infraestrutura e imprevisibilidades é um passo importante para lideranças que avaliam tecnologias emergentes aplicáveis a pagamentos e novos modelos de produto, permitindo-as agir com estratégia e cautela para extrair o máximo potencial que essas tecnologias podem oferecer.
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