Voltar

Por que as startups podem ser a solução para a habitação social no Brasil?

agosto 2021
Por que as startups podem ser a solução para a habitação social no Brasil?
Sumário

Receba os melhores conteúdos sobre IA e inovação

1 e-mail por semana, sem spam. Use seu e-mail corporativo.

Dados do IBGE informam que existem hoje mais de 13 mil favelas no Brasil, nas quais vivem cerca de 14 milhões de brasileiros. Com a chegada da pandemia, os números se agravaram: no último ano e meio, 20 mil famílias foram empurradas para moradias precárias só na cidade de São Paulo. Nesse período, a capital paulista ganhou 24 novas comunidades carentes.

Vivenda: a startup que ajudou a executar mais de 2 mil obras no país

A boa notícia é que muitos empreendedores brasileiros, com o auxílio da tecnologia, estão começando a encontrar soluções para o problema da habitação em nosso país. Um exemplo é o da startup de construção Vivenda, que surgiu em 2014 com o objetivo de realizar reformas de baixo custo em casas da periferia e de favelas de São Paulo. Até fevereiro de 2020, a construtech havia executado 2.500 obras, uma média de 35 por mês.

No início da crise da Covid-19, os sócios repensaram o modelo de negócio a fim de expandir os serviços para outras regiões do Brasil. Ao invés de operar com mão de obra própria, a Vivenda se transformou em um marketplace que reúne redes executoras de reformas populares e lojas de materiais de construção. Funcionou: no novo formato, os contratos da startup duplicaram. Até o final de 2021, a meta é adquirir a capacidade de efetuar 1.700 reformas por ano.

A primeira debênture de impacto social do Brasil

Em 2018, a venture builder Din4mo, o Grupo Gaia e o escritório de advocacia TozziniFreire estruturaram a captação de R$ 5 milhões para que a Vivenda financiasse até 8 mil reformas. Também graças à utilização de capital filantrópico, o risco foi reduzido e a atenção dos investidores tradicionais aumentou. Dessa estratégia de blended finance, nasceu a primeira debênture de impacto social do Brasil. Com cinco anos de carência e prazo de resgate de dez, o título de crédito permite que famílias paguem pela reforma em até trinta vezes. Cerca de 3 mil obras poderão ser realizadas apenas com o projeto piloto.

Startups de habitação social no Brasil

Além da Vivenda, o Brasil conta com outras 20 startups que trabalham no setor de habitação social. A grande maioria delas (17) se enquadra na subcategoria de ‘Negócios de Impacto Social’. Ainda existem as de ‘Água e Energia Limpa’, ‘Economia Circular’ e ‘Sustentabilidade’, de acordo com o banco de dados do Distrito.

Isobloco: tecnologia para construção de baixa renda

Outra startup de construção que se destaca em nosso ecossistema é a Isobloco, fundada em 2017 pelo engenheiro Henrique Ramos. Ela une concreto leve e aço para gerar um material que reduz o custo das habitações de baixa renda em até 30%. Também possui a vantagem de diminuir a geração de resíduos sólidos nos canteiros de obras, tornando o consumo de água menor e inclusive eliminando etapas da construção.

Segundo Ramos, ‘a habitação social deve atender critérios de rapidez na execução, salubridade, redução dos custos com energia elétrica, conforto térmico e acústico, além de utilizar materiais sustentáveis”. No Brasil, 90% das habitações sociais são consideradas insalubres e são construídas com critérios de qualidade e sustentabilidade reduzidos.’

Tendências em habitação social

Entre as tendências que vemos surgir no universo das habitações sociais, estão as chamadas Favelas 4.0. A Rede Gerando Falcões, por exemplo, criou o programa Favela 3D, cujo objetivo final é levar desenvolvimento para comunidades carentes de todo o Brasil. Localizada em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, a Favela da Vila Itália foi escolhida como modelo para o projeto piloto. O fundador e CEO da Gerando Falcões, Edu Lyra, quer implementar toda a infraestrutura necessária para fazer da Vila Itália um lugar Digno, Digital e Desenvolvido (3D). 

Já os donos da Casa Protótipo de Autoconstrução Sustentável edificaram uma casa apenas com materiais sustentáveis, como adobe, tijolo de terra crua com fibra seca e massa de barro com fibras longas. Construído na cidade de Fortaleza, o projeto visa servir como modelo de residência resistente e de baixo custo, além de sustentável.

A iniciativa Teto Verde Favela também tem o potencial de melhorar a vida de milhões de brasileiros. O projeto é baseado na tese de doutorado de Bruno Rezende, biólogo formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se do cultivo de plantas das espécies litófitas e epífitas no próprio telhado de residências de favelas da capital carioca. O objetivo é amenizar as temperaturas escaldantes que atingem a cidade e podem ultrapassar os 40º Celsius no verão.

Por fim, o negócio de impacto social Safe Drinking Water For All (SDW) desenvolveu uma solução que utiliza a radiação solar para transformar água imprópria para o consumo em água potável. De acordo com o site da startup, mais de 1.500 pessoas já foram beneficiadas pelo sistema no Brasil. Em 2019, a SDW foi reconhecida internacionalmente com a Premiação da ONU Meio Ambiente e iniciou um planejamento de expansão pelo nosso país.

Receba os melhores conteúdos sobre IA e inovação

1 e-mail por semana, sem spam. Use seu e-mail corporativo.