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OpenClaw: o que é, como funciona e riscos do agente "faz-tudo", antigo Clawdbot e Moltbot

Janeiro 2026
Pedro Assis
7 min
OpenClaw: o que é, como funciona e riscos do agente "faz-tudo", antigo Clawdbot e Moltbot
Sumário

1. O que é o OpenClaw?

2. Como o OpenClaw funciona

3. Desafios e riscos do OpenClaw

4. Cuidados ao considerar o uso do OpenClaw

5. Moltbook: a rede social construída por agentes do OpenClaw

6. Conclusão

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O OpenClaw é um agente de IA open source projetado para atuar de forma autônoma no sistema do usuário, com capacidade de acessar arquivos, controlar o navegador, executar comandos no terminal e interagir com aplicativos de mensagens.

Diferentemente de chatbots tradicionais, ele não se limita a responder perguntas: o OpenClaw executa tarefas, toma decisões intermediárias e pode iniciar interações de forma proativa.

Ele tem chamado atenção do mercado por sua proposta de operar localmente no computador do usuário, interagir com arquivos, navegador, terminal e aplicativos de mensagem, além de iniciar conversas por conta própria. Ao mesmo tempo, esse nível de autonomia trouxe debates relevantes sobre segurança, privacidade e controle.

Para saber mais sobre o OpenClaw, continue lendo o artigo.

O que é o OpenClaw?

O OpenClaw é um assistente pessoal de inteligência artificial open source projetado para atuar como um agente autônomo. O projeto foi desenvolvido por Peter Steinberger e ganhou tração rapidamente na comunidade de tecnologia por propor um modelo mais ativo de interação entre IA e sistemas digitais.

Diferentemente de ferramentas baseadas exclusivamente em interfaces web, o OpenClaw é executado localmente no dispositivo do usuário ou em um servidor privado. Isso permite acesso direto ao sistema operacional, incluindo arquivos, navegador, terminal e integrações com serviços externos.

A proposta central do OpenClaw é a autonomia operacional. Em vez de responder apenas a comandos pontuais, o agente consegue planejar, dividir tarefas em etapas e executar ações de forma contínua, com menor necessidade de supervisão humana.

Essa abordagem se aproxima do conceito de IA agêntica, no qual o modelo assume um papel mais ativo na execução de objetivos.

Por ser open source, o código do OpenClaw pode ser auditado, adaptado e executado de forma independente, o que contribuiu para sua adoção por desenvolvedores interessados em automação e personalização.

Por que o OpenClaw mudou de nome?

Desde que começou a ganhar visibilidade, o projeto passou por uma sequência rápida de mudanças de nome. Inicialmente conhecido como Clawdbot, o nome do agente foi contestado pela Anthropic, levando-o a assumir o nome Moltbot. Mais recentemente, ele passou por outra mudança passou a se chamar OpenClaw.

Segundo o próprio desenvolvedor, as alterações refletem ajustes de posicionamento e questões relacionadas à identidade do projeto à medida que ele evolui tecnicamente e amplia seu escopo. A adoção do nome OpenClaw reforça a natureza open source da iniciativa e busca evitar associações limitantes a um único formato de uso ou funcionalidade.

Embora mudanças frequentes de nomenclatura possam gerar ruído para quem acompanha o projeto de fora, elas também indicam um estágio ainda experimental, com definições em construção e rápida iteração.

Como o OpenClaw funciona

O funcionamento do OpenClaw combina modelos de linguagem, uma camada de orquestração e permissões diretas sobre o sistema onde está instalado.

Arquitetura baseada em agentes

No núcleo do OpenClaw está um modelo de linguagem de grande porte (LLM), responsável pelo raciocínio, interpretação de contexto e tomada de decisão. Esse modelo pode ser acessado via APIs de provedores externos ou executado localmente, dependendo da configuração escolhida.

Ao redor do LLM, existe uma camada de orquestração que traduz objetivos em ações práticas. Essa camada decide quais ferramentas utilizar, em que ordem executar tarefas e quando interagir novamente com o usuário. Esse mecanismo permite que o agente realize fluxos de trabalho completos, em vez de apenas gerar respostas textuais.

Acesso direto ao sistema operacional

Um dos principais diferenciais — e também um dos pontos mais sensíveis — do OpenClaw é o nível de acesso concedido ao sistema. O agente pode:

  • Ler, criar e modificar arquivos locais
  • Executar comandos no terminal
  • Controlar o navegador para navegar em sites, preencher formulários e extrair informações
  • Interagir com aplicativos instalados no dispositivo

Esse acesso transforma o OpenClaw em uma ferramenta poderosa de automação, capaz de executar tarefas que normalmente exigiriam intervenção humana constante.

Integração com aplicativos de mensagens

O OpenClaw também pode ser controlado por meio de aplicativos de mensagens como WhatsApp, Telegram, Discord e Slack. O usuário interage com o agente como se estivesse conversando com um contato comum.

Além disso, o OpenClaw pode iniciar conversas de forma proativa, enviando mensagens quando detecta eventos relevantes, como e-mails importantes ou tarefas pendentes. Essa característica reforça seu papel como assistente ativo, e não apenas reativo.

Memória persistente e contexto contínuo

Diferentemente de muitos chatbots tradicionais, o OpenClaw utiliza memória persistente local. Isso significa que ele armazena histórico de interações, preferências e informações contextuais ao longo do tempo.

Essa memória contínua permite um comportamento mais consistente e personalizado, além de reduzir a necessidade de repetir instruções. No entanto, também concentra dados sensíveis em um único ponto, o que amplia o impacto potencial em caso de falhas ou acessos indevidos.

Desafios e riscos do OpenClaw

A popularidade do OpenClaw veio acompanhada de debates intensos sobre segurança, especialmente devido à combinação entre autonomia elevada e permissões amplas.

Autonomia sem isolamento rígido

Ao contrário de soluções corporativas tradicionais, que operam em ambientes fortemente isolados, o OpenClaw pode atuar diretamente no sistema do usuário. Isso significa que erros de interpretação, falhas no modelo ou comportamentos inesperados podem resultar em ações reais, como exclusão de arquivos ou execução de comandos indevidos.

O próprio projeto deixa claro que se trata de uma ferramenta experimental e que não existe uma configuração totalmente segura para uso irrestrito.

Risco de prompt injection

Um dos principais vetores de risco associados ao OpenClaw é a injeção de prompt. Como o agente lê e interpreta conteúdos externos — como e-mails, páginas da web e mensagens —, existe a possibilidade de que instruções maliciosas estejam embutidas nesses conteúdos.

Em um cenário extremo, um site ou e-mail poderia induzir o agente a executar comandos prejudiciais sem que o usuário perceba imediatamente. Esse tipo de risco é particularmente crítico quando o agente possui acesso direto ao sistema operacional.

Uso de modelos externos e privacidade

Embora o OpenClaw possa ser configurado para operar com modelos locais, muitos usuários optam por conectá-lo a APIs de modelos proprietários. Nesses casos, partes das interações e dados processados podem ser enviados para servidores externos.

Isso levanta preocupações adicionais sobre privacidade, conformidade regulatória e uso de dados, especialmente em ambientes corporativos ou que lidam com informações sensíveis.

Cuidados ao considerar o uso do OpenClaw

Para lideranças de tecnologia, dados e inovação, o OpenClaw funciona mais como um exemplo prático dos desafios dos agentes de IA do que como uma solução pronta para produção. Seu uso exige cuidados como:

  • Definição rigorosa de permissões;
  • Execução em ambientes isolados ou controlados;
  • Preferência por modelos locais quando possível;
  • Monitoramento contínuo das ações do agente;
  • Avaliação de riscos legais e de compliance.

Sem essas medidas, os riscos operacionais podem superar os ganhos de eficiência prometidos pela automação.

Moltbook: a rede social construída por agentes do OpenClaw

Além de atuar como assistente individual, o OpenClaw passou a ser associado a um experimento mais amplo: a criação de uma rede social composta majoritariamente por agentes de IA chamada Moltbook.

Nesse ambiente, os próprios agentes mantêm perfis, publicam atualizações, interagem entre si e estabelecem conexões, com mínima intervenção humana direta. A proposta explora a ideia de agentes autônomos não apenas como ferramentas, mas como entidades capazes de manter presença contínua em ambientes digitais, e já reúne milhões de “perfis” agênticos.

Esse movimento amplia o debate sobre o papel social de agentes de IA, levantando questões sobre autoria, interação máquina-máquina e os limites entre sistemas automatizados e espaços tradicionalmente ocupados por pessoas. As interações entre agentes sobre os humanos, inclusive, caracterizam um tópico especialmente sensível que tem originado diversos debates. 

Embora ainda em estágio inicial, a iniciativa reforça o caráter experimental do OpenClaw e sua ambição de extrapolar o uso convencional de assistentes digitais.

Conclusão

O OpenClaw representa um avanço relevante na evolução dos agentes de IA, ao demonstrar como modelos generativos podem sair do papel de assistentes conversacionais e assumir funções operacionais mais amplas. Ao mesmo tempo, ele evidencia os desafios de segurança, controle e governança que acompanham esse avanço.

Entender como o OpenClaw funciona e por que ele gera controvérsia é fundamental para qualquer profissional interessado em aplicar agentes de IA de forma responsável. O futuro da inteligência artificial passa menos por respostas automáticas e mais por decisões estruturais sobre autonomia, limites e impacto organizacional.

A discussão em torno do OpenClaw evidencia um ponto central para a adoção responsável de agentes de IA: autonomia técnica precisa vir acompanhada de conhecimento, critérios de decisão e governança. 

Antes de implementar agentes capazes de operar sistemas, acessar dados e tomar decisões, é fundamental que lideranças compreendam os limites, riscos e implicações organizacionais desse tipo de tecnologia.

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