O termo “Open Innovation” (ou inovação aberta, em português) foi criado, em 2003, pelo professor de Harvard, Henry Chesbrough, e, na época, esta era uma expressão ainda pouco difundida e conhecida no mercado. Hoje, o número de pesquisas sobre este conceito no Google já passa da casa do bilhão e a tendência é que aumente cada vez mais.
Resumidamente, a inovação aberta nada mais é que a abertura de empresas para a colaboração de agentes externos, como startups, clientes ou fornecedores, ou internos, em novas ideias e projetos para tornar processos ainda mais produtivos.
Se antes as empresas ainda tinham um certo receio de envolver pessoas de fora em seus processos produtivos, hoje o mercado já amadureceu bastante esta ideia e está disposto a buscar cada vez mais startups e empreendedores para gerar valor aos negócios.
Uma prova disso foi o número de investimentos realizados em fintechs brasileiras nos primeiros trimestres de 2020, que chegou em US$ 939 milhões, segundo o report Inside Fintech do Distrito.
Essa interação entre grandes corporações e startups se tornou natural e é capaz de trazer muitos benefícios para ambos, conseguindo solucionar problemas ou dores de forma muito mais rápida, barata e eficiente.
O time-to-market, ou seja, do tempo entre o desenvolvimento e comercialização de um produto ou serviço, tende a diminuir muito neste processo, sendo um forte atrativo em grandes empresas.
Além disso, a prática da inovação aberta também influencia de forma positiva a cultura interna dos colaboradores destes lugares, pois as startups estão mais acostumadas a trabalharem com velocidade nas respostas e interações e a terem visões diferentes para tornar processos mais eficazes.
Muita gente não sabe, mas a RTM – Rede de Telecomunicações para o mercado nasceu de um método muito parecido de inovação pelo qual os empreendedores, especialmente startups, passam.
Tudo começou com uma pesquisa de dores do mercado e, em 1997, a principal delas era relacionada às dificuldades em ter uma tecnologia de comunicação que suportasse as necessidades e os requisitos de segurança do setor financeiro. Nesta época, a internet ainda engatinhava e estava longe de ter a abrangência que tem hoje.
A conectividade entre instituições e provedores e órgãos regulatórios, como Sisbacen, ANBIMA (antes ANDIMA), Bolsa B3 etc., era muito deficiente e difícil, especialmente para empresas menores.
Diante deste cenário, a RTM foi criada para montar uma rede privada que facilitaria esta comunicação, assumindo também a gestão e o monitoramento desta estrutura, sempre seguindo os pilares do setor, que são segurança, agilidade, confiabilidade. Desta forma, as instituições puderam voltar a focar no seu core business, deixando questões de infraestrutura com a RTM.
Naquele momento, não se falava no termo startup, mas o modelo de criação do negócio – partindo da premissa de atender uma dor do mercado – foi basicamente o mesmo. Atualmente, a RTM já é uma empresa consolidada no mercado, mas continua buscando estar neste ambiente de transformação, apoiando o empreendedorismo e disseminando inovações para outras instituições do setor financeiro.
Uma das principais formas que a RTM encontrou de estimular a inovação aberta foi através do programa Conecta, que tem como objetivo proporcionar a troca de informações e experiências e o desenvolvimento de soluções aplicáveis.
Segundo a diretora Comercial e de Produtos da RTM, Adriane Rêgo, em live promovida pela Darwin Startups, ainda hoje, poucas instituições do mercado – principalmente as pequenas – possuem um setor de inovação interno. “Como já temos este DNA de inovação, faz todo o sentido centralizarmos o que vemos de transformação no mercado e sermos um grande replicador”, afirmou.
Por meio do Conecta, a RTM realiza diversos fóruns de conhecimento presenciais e online trazendo especialistas para comentarem as principais tendências e seus possíveis impactos no mercado. São lives, comitês, eventos e um podcast com o objetivo de estimular o pensamento inovador e propagar novas ideias.
Além disso, a Rede é uma das parceiras corporativas do programa Darwin Startups, participando da aceleração e apresentação de diversas startups ao mercado, é associada ACATE – Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia, estimulando o relacionamento entre empresas, e uma das mantenedoras do Distrito, hub de inovação.
Para Adriane Rêgo, a convivência com startups e a interação constante com empreendedores, universidades e espaços de aceleração acaba por promover uma nova forma de olhar aos problemas e processos de uma empresa.
“É uma relação de troca constante. Aprendemos muito com o empreendedor, que nos lembra a época em que criamos a empresa. A RTM atua no setor financeiro, um nicho muito rígido em que não é possível errar. Já as startups partem da premissa que você deve errar para melhorar. Isto representa visões quase antagônicas, porém essa diversidade é muito importante para uma mudança de mindset”, ressaltou Rêgo.
Por meio da inovação aberta, a RTM conseguiu ser um grande agente da transformação, levando informação ao mercado, apresentando startups que possuem sinergia com alguns clientes e investindo em algumas delas, para atender importantes necessidades do setor.
“É bom para todo mundo. É bom para a RTM porque ela está cumprindo seu objetivo de prestar mais serviços à comunidade financeira, bom para as startups porque elas crescem e bom para as instituições financeiras, que têm acesso a um serviço de qualidade”, conclui Rêgo.