As empresas cada vez mais estão focando em olhar para as necessidades do consumidor para entender melhor seu comportamento e demandas. Dessa forma, colocar o cliente no centro do processo, ter empatia e buscar tecnologias cada vez mais voltadas para aprimorar essa relação é essencial para todas as empresas.

No evento ConsumerTech, que aconteceu no dia 21, no Distrito, reunimos executivos de empresas da cadeia de consumo para discutir os principais desafios da transformação digital. Abaixo, trazemos um compilado do que está acontecendo no Brasil e impactando o consumidor.

Neste artigo, vamos abordar:

  • O varejo brasileiro e suas transformações
  • Análise do Big Data ajuda a prever riscos e perdas para o varejo
  • Cases de sucesso

O varejo brasileiro e suas transformações

Texto escrito por Helio Biagi, fundador e CEO da OasisLab Innovation Space.

Um tema muito discutido foi a importância do varejo e como ele se relaciona com o consumidor. Afinal, são poucos os setores da nossa economia que evidenciam a transformação tecnológica de maneira tão evidente para o público, em geral, quanto o varejo.

Além disso, o varejo também tem uma característica marcante por um dos primeiros setores em que foi possível perceber o impacto da transformação digital em larga escala. Tanto no ambiente online quanto o físico.

Por exemplo, em 2018, aproximadamente cerca de 10% do volume de compras no varejo nos EUA foi realizado por meio de e-commerce. O crescimento desse número se mantém constante em cerca de um ponto percentual por ano.

Além disso, no mercado brasileiro, o e-commerce ainda representa pouco mais de 4% do total. No entanto, o setor apresenta crescimento de dois dígitos mesmo levando em conta o cenário atual da economia brasileira.Porém a inovação no varejo vai muito além de permitir que o consumidor faça suas compras pela internet.

Loja física vs Meio digital

Nas lojas físicas, enquanto os consumidores são impactados com tecnologias como displays, realidade virtual e checkout automatizado, outras menos evidentes são tão importantes quanto essas para o varejista. Sensores captam todos os movimentos dos consumidores dentro das lojas, rastreiam seu campo de visão e indicam seus interesses.

O fluxo de dados, quem sabe até mesmo analisado por inteligência artificial, se torna informação e fator de decisão para as empresas, que refinam e otimizam seus processos para conquistar clientes cada vez mais seletivos e exigentes.

Ainda mais longe das vitrines, processos de gestão, logística informatizados e automatizados permitem que os varejistas gastem menos tempo e dinheiro com a organização de seus negócios e entregas e mais com atender às necessidades dos consumidores. Canais omnichannel diminuem a distância entre o eletrônico e o físico. Tecnologias de meio de pagamento facilitam cobranças e compras.

Aqui no Brasil, grandes corporações utilizam seus recursos de pesquisa e desenvolvimento para acompanhar as tendências tecnológicas, mas são as startups que se mostram ágeis o suficiente para apresentar e expandir soluções que impactam todo o mercado – mesmo que nem sempre deem certo.

O relatório Retailtech Mining Report traz informações e dados valiosos sobre o varejo compilando informações sobre startups, novas tecnologias e tendências do setor. Foram mapeadas mais de 250 startups em 9 categorias para compreender o que está acontecendo no varejo no Brasil.

Análise do Big Data ajuda a prever riscos e perdas para o varejo

Texto escrito por Jaime de Paula, CEO da Neoway.

Atualmente, um dos maiores desafios das companhias é entender como os comportamentos online e offline do consumidor impactam sua jornada de compra e, com esse conhecimento, traçar estratégias mais precisas de prospecção, vendas e fidelização dos clientes. No varejo, estas são só algumas das dificuldades que a coleta, tratamento e análise de Big Data ajudam a solucionar.

Não faz muito tempo, o setor precisou se inserir no ambiente da internet, criando lojas virtuais e adaptando processos logísticos. Com essas mudanças, vieram os grandes volumes de dados que cada transação gera e, a partir deles, o conhecimento valioso sobre os clientes, seus hábitos e suas necessidades.

Essa mudança de paradigma trouxe diversas oportunidades: tornou-se possível interpretar o comportamento do consumidor, entendendo quais são suas marcas preferidas, quanto ele gasta em cada produto, em quanto tempo ele volta a fazer uma nova compra, entre outros fatores. Essas informações ajudam a personalizar ofertas, perceber o melhor momento e canal para abordar um cliente e atendê-lo de maneira única.

Outra vantagem é o aumento da base de possíveis clientes. Antigamente, se uma pessoa saía de sua loja, era quase impossível se comunicar com ela novamente. Agora, você consegue reativar o contato com quem deixa sua loja virtual por meio de mensagens direcionadas e personalizadas de acordo o perfil do visitante e o produto buscado.

Compliance

A área de Compliance também pode se beneficiar. Fazer uma diligência prévia de fornecedores para garantir a conformidade com as leis do país é demorado e oneroso. Com uma ferramenta de Big Data Analytics que compile, em uma única página, todas as informações necessárias de milhares de fontes, essas consultas se tornam mais rápidas e precisas.

Se sua empresa ainda não investe em análise inteligente de Big Data, você está perdendo a oportunidade de crescer em maior velocidade e com mais segurança.

Cases de sucesso

Durante o evento ConsumerTech, vimos diversos cases de sucesso que ressaltam a importância de olhar para o consumidor. Além do fato de pensar em soluções e tecnologias que ajudem a empresa a prover serviços e produtos diferenciados.

Postmetria

Atualmente, 80% dos dados disponíveis não são estruturados sendo, portanto, invisíveis aos computadores – segundo a Postmetria. Dessa forma, apenas 20% dos dados são aproveitados e analisados pelas empresas.

O mundo está cada vez mais rápido. Os consumidores estão se comunicando a todo momento como também avaliando as marcas. Sejam avaliações positivas ou negativas sempre é importante entender como mapear isso.

A Postmetria foi uma das startups que se apresentou no evento ConsumerTech e traz a solução focada no NPS Social. NPS é a sigla para Net Promoter Score. Ela é uma pesquisa de satisfação do cliente para saber se ele recomenda a sua empresa.

Assim, a Social NPS é uma plataforma multicanal de Big Data que interpreta o grau de satisfação da experiência do consumidor por meio da Inteligência Artificial.

A partir do grau de recomendação da sua marca na internet, os algoritmos identificam notas nos comentários espontâneos dos consumidores. Como, por exemplo, posts em redes sociais, comentários em sites e e-commerces, emails do Fale Conosco, entre outros.

Dessa forma, a sua marca pode ser classificada e avaliada sobre o grau de recomendação social e fidelização de clientes.

Supermercado Now

A startup tem como objetivo ser uma solução de delivery de supermercados. É semelhante a um site de compras em que o cliente seleciona o estabelecimento ou mercado de preferência. Além disso, ele pode comparar preços com outros supermercados, adicionando produtos ao carrinho. O pagamento é realizado no próprio site e o consumidor recebe tudo em sua casa.

Esse modelo é muito semelhante ao de um marketplace de nicho focado em supermercados. As entregas, portanto, devem ser realizadas em até duas horas após o pedido ser feito. É possível também agendar a entrega da compra para um horário de preferência.

No case apresentado durante o evento ConsumerTech, a startup evidenciou que 45% dos compradores têm menos de 35 anos. Além disso, 40% possui entre 35 a 50 anos e os clientes têm uma recorrência de duas compras por mês. Outro dado bem interessante é que o ticket médio é de R$ 250.

Leap

A Leap é uma aliança do Distrito com a KPMG. Ela nasceu com o intuito de ajudar as grandes corporações a encontrarem soluções inovadoras para seus processos. A aliança junta a expertise do Distrito no relacionamento com as startups com o modelo de negócio de consultoria da KPMG. Dessa forma nasceu uma unidade de negócio focada em atender as necessidades das grandes corporações que necessitam inovar.

O objetivo é desenvolver soluções que conectam problemas de negócios à inovação aberta. O intuito é ajudar a acelerar o desenvolvimento das corporações. E a inovação aberta é uma forma de ajudar nessa missão.
A metodologia utilizada é o Business Hacking. “É a capacidade de resolver um problema de maneira não tradicional. Ou seja, tirando qualquer tipo de limitação de recursos. São utilizadas diversas ferramentas, como tecnologia, cultura, mindset e pessoas, cruzando oportunidades onde a maneira tradicional não enxerga”, afirma Gustavo Araújo, sócio e fundador do Distrito.