Confira como Daniel Calonge criou a Monetus, plataforma de investimentos inédita no país e quais são os próximos passos do negócio

Foi vendendo frangos para casas de ração em Belo Horizonte que Daniel Calonge sentiu o gostinho de ganhar dinheiro. Ele começou o negócio do zero, aos 19 anos, enquanto cursava medicina veterinária na Universidade Federal de Minas Gerais. Chegou a ter 3 mil frangos e quando conseguiu juntar R$ 30 mil decidiu que era hora de investir. Ao pedir ajuda para o gerente do banco, saiu de lá com a orientação de deixar o dinheiro na poupança e comprar um título de capitalização. 

O gerente não imagina, mas contribuiu com a guinada que Daniel daria em sua carreira dali em diante. O ex-veterinário deixou o banco com a certeza de que tinha alguma coisa errada com aquelas dicas de investimento e foi ele próprio estudar a melhor maneira de aplicar o dinheiro dos frangos. Começava ali a trajetória que levou Daniel Calonge a se transformar em um gestor de investimentos apaixonado por analisar empresas e perfomance de fundos.

“Pensar em investimento mudou minha vida. Aos 29 anos, conquistei meu primeiro milhão e já era independente financeiramente”, conta o empreendedor, que se tornou gestor profissional pela Anbima e obteve a certificação CFA (Chartered Financial Anaylist), a mais alta do mercado financeiro. Sua primeira experiência no mercado financeiro foi em uma gestora de investimentos de Belo Horizonte.

Depois, montou sua própria gestora, no modelo tradicional, para administrar recursos de familiares e de amigos. Em 2016, com mais de 7 anos de experiência neste mercado, sua gestora deixou de ser offline para se tornar 100% virtual e automatizada. Neste contexto surgiu a Monetus, uma plataforma digital de investimentos que conta, hoje, com cerca de 10 mil clientes e espera bater R$ 200 milhões em patrimônio sob gestão ainda este ano.

Plataformas como a da Monetus são conhecidas no mercado por atuarem como um robô de investimento. São muito comuns lá fora e já existem outras no Brasil. A diferença da empresa criada por Daniel é que a gestão é feita de forma ativa. Isso significa que os algoritmos decidem os porcentuais que serão colocados em cada aplicação, mas é um gestor que escolhe a carteira e decide onde aplicar.

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Lançamento 

Embora sejam novidade por aqui, os robôs de investimento, como a Monetus, já apareceram entre as 10 aplicações mais buscadas no primeiro semestre deste ano, segundo ranking da Yubb. A expectativa é de que essas plataformas ganhem ainda mais espaço na carteira dos brasileiros daqui para frente, já que a renda variável tem se tornado uma opção cada vez mais interessante do que a renda fixa em um cenário de  juros baixos – a Selic está em 6%. 

A Monetus tem aproveitado o momento para lançar novos produtos no mercado: um ranking inédito de fundos de investimento (feito com base em 300 milhões de dados e 27,2 mil fundos); um simulador de carteiras de investimento, que combina centenas de fundos em uma carteira; e um comparador de fundos. Com isso, a Monetus começa a expandir sua atuação. Os clientes poderão, além de escolher as carteiras exclusivas, criar sua própria carteira (com base em sugestões da empresa) ou montar sozinho, sem ajuda, usando o comparador de fundos. A meta é atingir a marca de 1 milhão de clientes. 

Desafios

“Hoje, as corretoras batem na nossa porta querendo virar parceiras, mas quando nascemos o que mais recebemos delas foi não”, lembra Daniel, citando esse como um de seus maiores desafios. A plataforma desenvolvida pela Monetus precisava estar vinculada a uma corretora. “Ficamos 4 meses desenvolvendo o sistema sem saber onde plugá-lo, até que fechamos uma parceria com a maior corretora de Belo Horizonte, a Amaril Franklin”.  O negócio vingou e, em 2017, a empresa recebeu investimento do Distrito e, em 2018, do fundo americano K50.

Segundo Daniel, 100% do dinheiro dele e dos sócios está investido na Monetus. “Temos hoje na carteira 13 empresas que escolhemos a dedo”, diz. “Desde 2011, só perdemos do Ibovespa em dois anos. É um investimento que faz sentido no longo prazo”. 

A Monetus cobra uma taxa de administração pelo patrimônio investido. Quem tem R$ 10 mil investidos (sendo metade em renda fixa e metade em renda variável), por exemplo, paga R$ 45 por ano.