“A maioria das tentativas em inovar falham. E empresas que não inovam, morrem.’’ –Henry Chesbrough.

Com a crescente onda de startups, ouvimos muito se falar de inovação. Mas, afinal de contas, o que é inovação? Inovação pode vir em forma de produto, serviço, processo, tecnologia ou até mesmo modelo de negócios.

A Rappi, por exemplo, criou um modelo de negócios que se destaca de outros aplicativos de delivery. Já não é novidade que o mundo está transformando num ritmo muito acelerado. Cada vez mais, grandes empresas buscam formas de inovar para se manterem relevantes e competitivas no mercado. Por outro lado, inovação faz parte do DNA de startups; ambas as palavras viraram praticamente sinônimos. Existe muita oportunidade para startups e empresas colaborarem, se ajudando a preencher lacunas.  

De acordo com o artigo “Knowing When to Reinvent” da Harvard Business Review, em média 80% dos executivos em grandes empresas reconhecem a necessidade de transformação. Mas apenas um terço desses se sentem confiantes em realizar uma mudança entre 5 a 10 anos, o que pode ser considerado curto prazo para empresas verticais e burocráticas.

Esse dado pode ser uma ameaça para algumas empresas, mas também pode ser visto como uma oportunidade de se relacionar com startups. Muitos líderes não sabem como, de fato, inovar, ou pelo menos por onde começar. Vamos falar então sobre as duas vertentes de inovação: inovação aberta e inovação fechada.

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O que é inovação aberta?

Inovação aberta envolve o uso de entradas e saídas intencionais de conhecimento para acelerar o processo de inovação interna e expandir os mercados pelo uso externo da inovação.

A maior vantagem de usar a inovação aberta é que o tempo e o custo despendido para a criação e o desenvolvimento de projetos é reduzido. Também há a possibilidade de empresas fazerem a comercialização de invenções que não foram penetradas no mercado anteriormente por falta de capacidade estratégica ou outros N motivos. Abrindo essa oportunidade para colaborar, muitas empresas conseguem incorporar inovações que jamais teriam sido criadas por falta de tempo, conhecimento e/ou recursos tecnológicos.

Empresas que adotam a inovação aberta acreditam que não é necessário ser dono de uma ideia para poder lucrar com ela. Aliás, muito pelo contrário, acreditam que só terão êxito se fizerem o melhor uso de ideias tanto internas quanto externas. O foco aqui é utilizar todos os recursos possíveis para otimizar o processo de inovação, pois existem pessoas competentes e brilhantes dentro e fora da empresa.

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O que é inovação fechada?

A inovação fechada, como o próprio nome sugere, está restrita à empresa. Ou seja, desde as ideias até as pesquisas e o desenvolvimento – tudo  acontece dentro da empresa, pelos próprios funcionários.

Uma empresa pode optar por usar inovação fechada por vários motivos e/ou crenças. Por exemplo, os tomadores de decisão podem estar desconfiados e, portanto, preferem manter um controle rígido sobre sua propriedade intelectual.

Também é comum que executivos de grandes empresas se sintam motivados pelo ambiente de competição para serem “vencedores,” sendo os primeiros a descobrir algo e levá-lo ao mercado.

Inovação colaborativa

No que diz respeito à inovação aberta, não há nenhuma dúvida que grandes empresas e startups representam uma parceria com muito potencial. Como podemos unir os dois mundos para promover inovação?

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Por que startups precisam de grandes empresas?

Existem vários motivos pelos quais startups dependem de grandes empresas. Um dos motivos mais óbvios é financiamento e receita garantidos, fazendo com que a startup não precise procurar investidores externos.

Além disso, startups podem usufruir da clientela das grandes empresas, realizando testes para validar e aprimorar seu produto/serviço. Empresas são uma fonte riquíssima de conhecimento de mercado, o que pode ajudar a direcionar o caminho das startups.

Por outro lado, as startups têm de esperar enfrentar algumas dificuldades com esse novo relacionamento. Grandes empresas são divididas em vários departamentos diferentes, então a startup não dialoga com a empresa como um todo mas, sim, com uma unidade específica.

Isso pode chegar a ser um problema se as startups não conseguirem encontrar onde elas se encaixam melhor, sabendo também quem são as pessoas certas para exercer essa colaboração. Por último, outra possível barreira para startups que oferecem produtos é a duração do ciclo de vendas em grandes empresas. Afinal, elas costumam trabalhar em ciclos maiores, enquanto startups precisam estar constantemente criando para poder gerar receita imediata.

Por que grandes empresas precisam de startups?

Num primeiro instante, talvez não venha nada a sua cabeça, mas acredite: empresas também se beneficiam de uma parceria com startups! As startups conseguem ajudar grandes corporações a incorporarem processos inovadores, assim reduzindo a quantidade de burocracia interna. Além disso, a cultura ágil da startup consegue tornar o negócio mais preparado para navegar no mundo atual.

Porém, para que o relacionamento entre elas seja produtivo, as empresas precisam estar abertas para mudanças. Isso implica estarem dispostas a se arriscarem. Por mais que seja fácil e às vezes até conveniente recusar uma proposta de uma startup, elas podem resultar em ganhos muito positivos.

Além disso, é preciso tomar cuidado com possíveis conflitos com acionistas. Muitas vezes acionistas têm expectativas e prioridades que não estão alinhadas com o propósito do relacionamento entre a empresa e startup. Por isso, comunicação, transparência e diálogo são essenciais.

Minha experiência

Durante minhas férias de verão, tive a oportunidade de estagiar na área de vendas da PayParty. A startup é a fintech vencedora da competição Innovation Pay 2018, a maior feira de pagamentos da América Latina. A PayParty surgiu para agilizar filas na hora do pagamento em casas noturnas por meio da leitura de um QR code.

Hoje, ela expandiu seu plano de negócios e agora oferece uma plataforma completa de pagamentos, gerenciamento de estoque e controle de receita para estabelecimentos diversos – desde restaurantes, bares, baladas e eventos.

Lá, eu vivenciei em primeira mão alguns dos obstáculos no caminho das startups. Ficou muito claro, para mim, o quanto startups sofrem para ganhar força e forma. Graças a uma parceria com a Rappi pay, a PayParty conseguiu conquistar mais usuários.

Como vendedora, visitei inúmeros estabelecimentos, sempre com o mesmo objetivo em mente: fechar negócio. Nós visitamos mais estabelecimentos do que eu consigo lembrar. Mandamos inúmeros e-mails, fizemos várias ligações, marcamos reuniões e, no final, conseguimos vender para um estabelecimento. Um.  Tudo isso para dizer que o começo de uma startup não é fácil.

Sempre terão pessoas resistentes à inovação porque estão confortáveis com o “status quo”. Da mesma forma, sempre terão funcionários dentro das grande empresas que dificultam a incorporação de tentativas de inovação. Por fim, vale lembrar que inovação é uma variável constante, que se molda de acordo com o product market fit.

O processo de inovação

Uma vez que o método de inovação estiver definido numa empresa, o primeiro passo é convencer a seu público-alvo dos benefícios que sua inovação proporciona. Isso só pode acontecer por meio de comunicação e ações de marketing. Já que inovações quase sempre causam alguma mudança ou ruptura total da antiga organização/operação, antecipe muita crítica.

As pessoas são, na maior parte, acomodadas e preferem estabilidade do que arriscar em algo que não é certeza que irá funcionar ou se adaptar ao mercado.

Num primeiro momento, apesar de parecer muito incômodo, criar algo inovador é um processo complexo. Ele requer muita persistência, muito esforço e muita paixão. Quando a inovação é muito complexa, há ainda a possibilidade de se enfrentar resistência como consequência de ignorância.

Texto escrito por: Fernanda Sayao. Aluna da Fundação Getúlio Vargas e membra da Liga de Empreendedorismo, é muito interessada no mundo de startups. Por ter um viés mais social, pretende empreender no ramo de educação ou oferecer alguma solução para microempreendedores, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade. Acredita que o empreendedorismo não é o futuro, mas sim o presente.