A inovação empresarial é o caminho que toda empresa que não quer morrer nos próximos anos deve seguir. Veja as possibilidades e exemplos de quem tem inovado.

No atual cenário, inovação empresarial virou sinônimo de sobrevivência. Afinal, “a única constante é a mudança” e só quem estiver em constante desenvolvimento poderá encabeçar projetos inovadores.

Pode parecer meio abstrato, mas eu explico.

Na segunda semana de outubro, a Netflix divulgou os resultados do seu terceiro trimestre que superaram as expectativas dos analistas.

A receita bateu os U$ 4 bilhões e representou um aumento de 36% na comparação ano a ano. Apesar de ter concorrentes de peso como a Amazon, a aquisição de novos assinantes também foi maior do que o esperado.

Mas, agora eu pergunto: cadê a Blockbuster que dominava a distribuição de filmes há uns anos?

Pelo que consta nos registros, restou uma única loja em algum lugar nos Estados Unidos.

Porém, se você digitar no Google ‘Blockbuster online’ você acha isso aqui (sério, você precisa ver).

O que eu quero dizer é: uma marca que foi império há uns anos hoje sequer é lembrada pelas novas gerações porque alguém inovou antes.

A mágica da inovação

A afirmação pode parecer bizarra de início, mas olhando da ótica de quem faz mágica existe um processo que é complexo, porém efetivo.

De acordo com Stefan Thomke, professor de administração de negócios na Harvard Business School, nos EUA “Mágicos levam meses para fazer algo que terá efeito por segundos”.

Isso significa que, por vezes, os gerentes de inovação ou responsáveis pelo desenvolvimento de novos produtos correm para desenvolver soluções sem saber se, de fato, elas vão ajudar seus clientes.

Antes de pensar em inovação como um novo serviço ou produto, é importante definir que tipo de problema essa solução vai resolver. E isso leva o tempo.

Contudo, você só não pode demorar a inovar a ponto de ver mais de 300 lojas fechando as portas de uma só vez, como foi o caso do CEO da Dish (que adquiriu a Block antes da falência).

Em um comunicado dado em 2013, quando as lojas davam seu último adeus, ele escreveu “Não é uma decisão fácil, mas a demanda do consumidor está se direcionando claramente para uma distribuição digital de vídeos de entretenimento.”

E esse não é um caso isolado, quantas marcas e empresas você lembra que existiram e hoje não sabemos onde estão?

Por outro lado, temos o exemplo de empresas tradicionais que estão inovando. Veja alguns exemplos.

Empresas tradicionais que estão inovando

Apesar de ainda existirem empresas atrasadas, algumas têm feito diferença no mercado mostrando que “empresa antiga também faz negócio bom”.

Vamos ver exemplos de quem está no mercado há um tempão e, mesmo assim, vem trazendo avançando com os projetos de inovação corporativa.

1- Linx

A Linx é um dos casos mais recentes entre grandes empresas que estão inovando.

A companhia de software para varejo beira seus 40 anos de mercado e atende uma boa fatia desse setor oferecendo do TEF até a gestão de lojas e tem clientes de peso que vão de Coca a Cola a Track&Field.

Apesar de ser um movimento visto pelo mercado como tardio, a Linx está deixando de ser apenas uma companhia de tecnologia para ser também fintech.

A proposta é atender o varejo também como uma subadquirente e disputar com players como PagSeguro, por exemplo.

Contudo, a marca entra no mercado com a vantagem de liderar o segmento de softwares para o varejo.

E a sacada inovadora da Linx não está só em entrar em um segmento crescente e competitivo como o das fintechs, mas também trazer um diferencial de produto.

Além de oferecer o que as subadquirentes já oferecem, com a Linx Pay os lojistas serão direcionados para operadora que oferecer a menor taxa de operação – resolvendo um problema de custo que quem opera nesse modelo tem.

2- Magazine Luiza

Em fevereiro deste ano, a Magazine Luiza ganhou o sétimo lugar no ranking da Fast Company 2018 pelos esforços em digitalizar suas operações por meio do Luiza Labs – um laboratório de inovação.

Esse hub de inovação teve um papel fundamental para o crescimento das vendas da varejista em 2017, que registrou o maior crescimento da sua história atingindo ganhos superiores a 273% na comparação ano a ano.

Só no e-commerce, a marca teve um crescimento de 55%. E é ali no Luiza Labs que a “mágica da inovação” acontece.

Em uma entrevista, o gerente do laboratório fala da autonomia que os colaboradores têm e no quanto isso ajuda no desenvolvimento da tecnologia por trás dos resultados que a organização vem obtendo.

3- Unilever

A Unilever dispensa apresentações. Mas merece atenção para um novo jeito que as gigantes estão tendo de inovar, que é a aquisição de startups.

O jeito simples de intitular esse “casamento” é: se não pode com eles, compre-os. A companhia adquiriu o clube de assinaturas Dollar Shave Club por U$ 1 bilhão e entrou para o segmento das “subscriptions”.

Produto, tecnologia e aquisição. Acima temos três exemplos de que inovação não é um caminho de mão única.

Mas você precisa resolver problemas e criar vantagem competitiva no mercado de forma rápida e efetiva. Abaixo, exemplos de como fazer isso.

5 práticas da inovação empresarial

Existem diferentes formas de uma empresa inovar, por isso vamos destacar alguns dos modelos de inovação corporativa mais adotados pelas grandes empresas.

1- Adquirindo startups

Existem startups desenvolvendo soluções de grande potencial para o mercado.

Essas soluções podem ser uma extensão ou inovação de algo que esteja correlacionado ao seu negócio para você adquirir em vez de criar do zero.

Um exemplo prático é o Facebook que comprou o WhatsApp e Instagram.

Sem dúvida, essas duas ferramentas viralizaram rápido entre os usuários e ganharam força no mercado.

Eles podiam ter criado uma versão do WhatsApp, mas viram o potencial e alcance que o produto já tinha alcançado e então fizeram a aquisição.

Em vez de perder público para essas outras duas ferramentas, a empresa agora detém três das ferramentas mais usadas pelos usuários.

2- Investindo em startups

As startups nascem com o DNA de inovação porque resolvem problemas que empresas tradicionais não enxergavam ou não queriam resolver porque não estavam em um mercado competitivo.

E, sejamos sinceros, diversas startups fizeram as grandes empresas despertarem para não perder fatia de mercado.

Prova disso é o Nubank – que ficou em primeiro lugar na lista da Fast Company 2018.

Instituições bancárias no Brasil nunca faltaram, mas todas lidavam com os clientes da mesmo forma: horas de fila, facilidade zero, burocracias e mais aquelas coisas que você já conhece.

Mas desde que o ‘roxinho’ apareceu, os bancos estão numa corrida contra o tempo para digitalizar processos e inovar.Prova-se que a startup traz mesmo disrupção.

Então, por que não apostar em uma que faça sentido para seu negócio? Porém, vale avaliar alguns quesitos antes disso:

  • Qual delas tem fit com seu negócio;
  • Qual atinge um público em comum com o seu;
  • Porque investir nessa startup vai ajudar seu negócio.

Pode ser que você responda suas perguntas ao conhecer melhor as startups que estão nascendo.

Por isso, a aproximação das grandes empresas com os hubs de inovação se torna tão importante e indispensável para quem quer inovar.

Outra forma de entender isso é com a ajuda de uma consultoria que una sua empresa com as startups. Daí seus investimentos serão mais assertivos e você pode acompanhar de perto esse movimento.

3- Criando hackathons

Os hackathons reúnem profissionais de tecnologia e demais áreas envolvidas no desenvolvimento de produtos colocando à prova seus poderes de conhecimento e ideias viáveis.

Nessa maratona, os programadores, designers e demais envolvidos trabalham em torno de um problema. É daí que surgem novas oportunidades de negócio e inovação.

Contudo, se você apostar nesse modelos para inovação empresarial, é preciso ter em mente que algumas falhas podem prejudicar o processo, tais quais:

  • Falta da proposta de valor

Por mais que as ideias sejam executáveis, se ela não tem o cliente como centro não irá funcionar. A ideia precisa ser viável e ser desenvolvida baseada no problema que a empresa quer resolver para o cliente.

  • Times desconexos

Como disse anteriormente, há uma mistura de competências de profissionais e se essa distribuição não for bem feita ou o time não corresponder bem trabalhando junto, a possibilidade de nascerem ideias boas e plausíveis é bem baixa.

  • Tradicionalismo

Se os jurados que definirão a melhor proposta do hackathon não estiverem dispostos a explorar novas ideias porque simplesmente não estão acostumados a projetos mais “ousados”, uma proposta boa pode ser jogada no lixo e você fazer mais do mesmo.

  • Falta de recursos ou planejamento

Se não houver um plano para execução do projeto escolhido ou não houver verba disponível para tal, não adianta movimentar uma maratona inteira. Você perderá seu tempo e dos demais envolvidos.

4- Aposte em Crowdsourcing

Se no hackathon nós temos profissionais especializados focados em solucionar algum problema, no crowdsourcing nós temos pessoas aleatórias recrutadas via internet para executar essa tarefa para você.

Vou dar um exemplo prático de como isso funciona.

Há um tempo a Ruffles convidou os consumidores a inventar novos sabores da batata fazendo combinações dos gostos deles.

Várias pessoas se inscreveram e a marca lançou novas versões do produto.

Levando em consideração o custo que teriam para contratar uma equipe para isso, o investimento foi baixíssimo, já que os vencedores conquistaram seus rostos nas embalagens e apenas 1% das vendas do produto.

Fácil, neh? Jogaram o “problema” de trazer inovação para o produto nas mãos de quem o consome e ainda viralizaram a competição contribuindo com a promoção da marca.

5 – Promova inovação

Promover-se como uma marca inovadora também é uma forma de fazer o mercado te enxergar como líder em inovação.

Mas é claro que isso não se trata de puro marketing, mas da organização como um todo.

Para se promover como uma empresa única e inovadora, você precisa ser de fato ser. Daí, pode seguir os seguintes passos:

Defina seu posicionamento

Se sua empresa entrega para o mercado produto e proposta inovadores, falta você definir um posicionamento de mercado que seja único e exclusivo.

O que a sua empresa tem que as concorrentes não têm e você pode usar?

  • Você tem tecnologia?
  • Tem um laboratório de inovação?
  • Tem parcerias ou um fundo corporativo?

Analise também qual é a visão que os times têm da empresa e como ele se traduz no posicionamento.

Será que todos enxergam a organização como inovadora? Você precisa fazer essa pesquisa interna.

Além disso, saiba:

  • Como eles descrevem seu produto, será que tem a ver com o posicionamento real?
  • Como você quer que seu produto seja visto no mercado?
  • O que te diferencia dos seus concorrentes?

Ter um posicionamento é fundamental para que a organização lidere a inovação corporativa.

Mapeie seu ecossistema

Depois de engajar a organização sobre o posicionamento, encontre seu ecossistema.

Isso consiste em identificar quais grupos sua organização alcança e quais deles podem ser “embaixadores da sua marca”?

Veja como mapear isso:

  • Analise seu seu ecossistema atual

Pense em todos os pontos de contato da sua empresa com operações externas – desde parceiros até fornecedores que podem ser disseminadores da sua marca.

  • Pense em qual seria seu ecossistema ideal

Além desses que você já tem contato, quais ainda podem ser inseridos?

Pense em laboratórios de inovação, universidades e também as startups. Defina cinco parceiros-chave para otimizar seu posicionamento.

  • Observe também seu ecossistema geográfico

Você está focado em hubs de inovação, de olho nos mercados nacionais e internacionais? Como você fomenta e participa dos projetos de inovação?

Depois de achar seu ecossistema, compartilhe seu posicionamento e obtenha feedbacks. Com esse retorno, você entenderá onde e como aumentar a conscientização sobre sua marca.

Em resumo:

  • Teste seu posicionamento
  • Otimize seu posicionamento dentro do ecossistema se necessários
  • Posicione-se para o mercado como uma empresa inovadora.

Empresas que inovaram

O Movimento 100 Open Startups fez um estudo sobre o relacionamento das grandes empresas com as startups e listou as quatro formas mais usadas para que essa aproximação exista.

Veja os exemplos:

  • Relacionamento e posicionamento

Nesse modelo, as empresas não têm um vínculo direto com as startups mas estimulam e participam de um ecossistema a fim de identificar e acompanhar as tendências.

Exemplo disso são IBM e Visa que patrocinam a Startup Farm, que além de focar no crescimento de novas startups também fomenta a aceleração delas por meio de processo de mentoria e etc.

O Santander Universidades é outro exemplo de quem inova a partir de relacionamento e posicionamento premiando universitários que trazem novas ideias de empreendedorismo.

  • Relacionamento de plataformas e parcerias

Nesse modelo, basicamente as grandes empresas “emprestam” suas ferramentas e produtos para as startups. Algumas subsidiam o uso e outras dão gratuitamente até a empresa começar a escalar.

Exemplos de quem faz isso é o Google, Apple e Amazon. Nesse modelo, além de fomentar as startups, essas grandes empresas criam uma relação com potenciais clientes.

  • Desenvolvimento de fornecedores

Nesse modelo, são oferecidos recursos para que as startups desenvolvam tecnologias que possam ser usadas ou adquiridas pelas grandes empresas.

Aqui destacamos AES Brasil e Comgás que focam recursos em pesquisa e desenvolvimento de projetos inovadores.

  • Investimento em Equity

Dentro desse modelo de relacionamento existem algumas variações que determinam de que forma esse investimento vai acontecer.

Alguns dos exemplos mais conhecidos são:

  • Aceleradoras corporativas que lideram o processo de crescimento e têm participação na startup, como no caso da Telefônica.
  • Em outro modelo a empresa se associa a uma aceleradora e ambas têm participação na startup. Exemplo: Oxigênio (da Porto Seguro e Plug’n’Play).
  • O terceiro é a modalidade de Corporate Venture Capital em que as empresas investem por meio de um fundo e tem uma participação minoritária. Ex: Banco do Brasil que investe pela BRStartups.

Em alguns casos, as grandes empresas apostam em mais de um tipo de relacionamento com as startups e criam relações diversas.

Conclusão

Como comentei no início deste post, inovar é requisito para as empresas que querem continuar no mercado, como você fará isso?

Temos vários exemplos de quem implantou a inovação empresarial “em casa”, de quem “democratizou” a inovação.

Existe ainda quem “terceirizou” esse processo e de quem está cada vez mais perto das empresas que já nasceram respirando inovação.

Logo, a forma como você vai fazer para liderar esse processo é o ponto-chave para decidir os rumos da sua inovação corporativa.

A dica é: fique de olho nas startups e por perto de quem movimenta esse modelo para construir um relacionamento e fazer o investimento certo.

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