A China é o país mais populoso do mundo, com a segunda maior economia e a maior economia militar. Durante anos, sua posição como potência internacional cresceu e o ritmo continua.

A cultura do seu povo e o grande investimento tecnológico são parte do seu extraordinário sucesso.

Quando se trata de tecnologia, o presidente Xi deixou claro, com sua iniciativa Made in China 2025, que pretende superar os EUA como potência tecnológica mundial. O mesmo vale para a inteligência artificial.

Há 20 anos, a pauta de exportação da China eram produtos sem valor agregado, a escala de produção e o custo barato da mão-de-obra eram os principais fatores de competitividade. Hoje, 90% dos computadores, 75% dos celulares e 80% dos painéis solares do mundo são produzidos por lá.

Essa nova face da indústria chinesa é resultado de um investimento pesado em P&D. Um ótimo exemplo disso, é a Huawei Technologies, uma das empresas fabricantes de equipamentos de telecomunicações, celulares, tablets e notebooks mais conhecidas.

Dos US$100 bilhões que eles faturam anualmente, 20% é direcionado a P&D. E do total de 200 mil funcionários, 80 mil trabalham diretamente com inovação e criação de produtos.

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Tecnologicamente dominante

A ascensão chinesa continua e o país não pode ficar de fora quando o assunto é tendências de tecnologia.

Há 5 anos, na lista das maiores empresas de tecnologia do mundo, apenas 2 das 20 companhias eram chinesas. Hoje, são 9. Até 2020, a expectativa é chegar a 13. Já passou a fase em que o país era lembrado por ser a nação “imitadora”, hoje ostenta um forte espírito empreendedor.

Seu mercado de pagamentos digitais é 50 vezes maior que o dos EUA, e suas duas grandes empresas, Alibaba Group e Tencent Holdings, são líderes em jogos online, mídia social e comércio eletrônico.

Desde o leve e moderno drone Mavic Pro (que controla mais de 70% do mercado comercial de drones) até a crescente indústria de compartilhamento de bicicletas, a inovação tecnológica emergente da China é recebida com admiração. No passado, ficou o ceticismo ocidental com o país que agora figura como potência. Além disso, o país possui como grande case de sucesso o aplicativo WeChat por ser o que os especialistas dizem “all-inclusive”.

Reconhecimento facial e de voz

O governo chinês anunciou, em dezembro de 2017, um plano ambicioso para alcançar maior precisão na leitura facial até 2020. O país planeja introduzir um sistema que identifica seus 1,3 bilhão de cidadãos em apenas três segundos.

Autoridades e empresas já implantaram a tecnologia de reconhecimento facial tanto comercialmente quanto para uma ampla vigilância com sucesso. Agora é a vez de investir fortemente no reconhecimento de voz.

“Até 2021, é estimado que metade das interações das pessoas com máquinas, em países desenvolvidos, será mediada por voz”, ressaltou Amy Webb em sua palestra no SXSW 2019.

O governo da província de Guizhou, a Universidade de Tsinghua e a d-Ear Technologies, de Pequim, anunciaram que estão colaborando em um projeto que conectará recursos de voz a informações de reconhecimento que criará, manterá e protegerá um banco de dados de gravações de voz.

O d-Ear e outras empresas dizem que o reconhecimento de voz é uma maneira melhor e mais barata de verificar a identidade.

No final de 2018, a empresa começou a construir um data center para armazenar dados de voz em Guizhou, uma província que se posiciona cada vez mais como um centro de tecnologia. É o lar, por exemplo, do primeiro centro de dados da Apple na China.

E também, a Alibaba, um dos maiores e-commerces do mundo, estava trabalhando para instalar a tecnologia em máquinas de venda de bilhetes para todas as estações de metrô em Xangai, para verificar as identidades dos passageiros.

Open banking

Um dos temas mais discutidos no SXSW 2019 foi a vigilância e a privacidade. “A privacidade está morta”.

A todo momento estamos sendo monitorados, seja com câmeras ou na produção de dados, intencionais ou não. Estamos gerando dados e informações que são minerados, refinados, produzidos e monetizados.

A internet permitiu a criação de serviços bancários diretos. Isso permite que os consumidores configurem contas online para acessar serviços bancários sem nunca terem colocado os pés em uma agência bancária.

Esses serviços foram adotados tanto pelos bancos tradicionais como por uma série de novas startups sem sedes físicas. Atualmente existem mais de 3 mil bancos na China.

À medida que o banco direto cresceu, os bancos alavancaram os APIs para expandir sua cobertura de atendimento ao cliente. Oferecendo, dessa forma, serviços financeiros em outros serviços de estilo de vida, como e-commerce e criando um vasto ecossistema de produtos entre setores.

O posicionamento dos bancos

Agora, os bancos chineses estão usando seus portais para redefinir todo o seu papel, posicionando-se não apenas como instituições financeiras, mas como empresas de tecnologia e parceiros de estilo de vida para os clientes.

A abordagem da China à regulamentação de dados, tanto no setor financeiro quanto em outros, pode ser descrita como pragmática. Pois, assim, permite que as indústrias e empresas se desenvolvam por meio da experimentação. Para, assim, entrar em ação para enfrentar os problemas à medida que aparecem.

O governo está preocupado em não desacelerar a inovação, estabelecendo estruturas que apóiam ​​seu crescimento de uma maneira que ofereça maior proteção aos consumidores.

A China irá introduzir uma regulamentação semelhante a do Regulamento Geral de Proteção de Dados da Europa (GDPR), embora a previsão de implementação não é clara.

Para FinTechs, o aumento regulatório destaca a necessidade de estabelecer uma forte reputação no mercado por meio de parcerias. As empresas inseridas no ecossistema financeiro em expansão da China têm mais chances de sobreviver à sua feroz concorrência.

Potência em mobile payments

O crescimento de pagamentos via dispositivos móveis está transformando nossas vidas financeiras e a China lidera o caminho. Eles adotaram rapidamente o e-commerce e preferem a conveniência dos pagamentos móveis.

Em 2016, a China tinha 731 milhões de usuários da Internet. Mais do que a União Européia e os Estados Unidos juntos. Quase um em cada cinco usuários (20%) na China depende apenas de dispositivos móveis para acessar a rede, em comparação com apenas 5% nos Estados Unidos.

A China é hoje o maior mercado de comércio eletrônico do mundo. É responsável por mais de 40% do valor das transações de e-commerce em todo o mundo. Portanto, ela se tornou uma grande força global em pagamentos móveis, com 11 vezes o valor de transação dos Estados Unidos.

O governo chinês está desempenhando um papel ativo na construção de uma infraestrutura de classe mundial. E, então, apoiar a digitalização como investidor, desenvolvedor e consumidor. A China está sendo transformada em líder digital mundial, de acordo com o McKinsey Global Institute.

Liderados pelos apps, AliPay e WeChat Pay, os consumidores chineses vão direto do caixa para smartphones, pulando o uso de cartões de crédito e débito. Administrados por duas das empresas mais valiosas do mundo, o Alibaba Group Holding e o Tencent Holdings, respectivamente, o dinheiro na China passa por um sistema digital que combina mídia social, comércio e serviços bancários.

Os consumidores podem pagar por tudo pelos apps. Desde uma xícara de chá, bilhetes de trem, impostos até contas de serviços públicos. Eles também podem fazer pagamentos de pessoa para pessoa. Cada indivíduo tem um QR code próprio e as transferências são gratuitas.

Automatização

Um envelhecimento demográfico requer automação. A população em idade de trabalho da China, de 15 a 64 anos, é de 998 milhões. Começou a diminuir em 2014 e pode cair para 800 milhões até 2050.

Nos últimos anos, os planejadores centrais da China vêm promovendo a automação como forma de preencher a lacuna de mão-de-obra. Eles prometeram generosos subsídios, a serem distribuídos pelos governos locais, para as empresas chinesas usarem e construírem robôs.

Ainda em 2014, o presidente Xi Jinping falou sobre uma “revolução robô” que transformaria a Chin. O comentário foi feito em um discurso na Academia Chinesa de Ciências.

Além disso, a China abriga o maior e mais rápido mercado de robótica do mundo. Contratos do governo chinês, como o plano Made in China 2025, estão alimentando a P&D em tecnologias de IA e seus investimentos estão rivalizando com as startups do Vale do Silício.

O foco é incentivar a inovação, o desenvolvimento de tecnologias de automação e robótica e também encorajar empresas de manufatura a adotar robótica na linha de produção.

Até agora, a atividade chinesa em robótica e inteligência artificial está em alta. Como também não há sinais de desacelerar na inovação.

Em 2018, só o estado chinês prometeu destinar US$ 5 bilhões para o desenvolvimento de tecnologias e negócios de IA. A cidade de Pequim destinou US$ 2 bilhões para desenvolver um parque industrial focado em IA. Além disso, um grande porto, Tianjin, planeja investir US$ 16 bilhões em sua indústria local de IA.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse em 2017, a nação líder em IA “será a governante do mundo”. Olho na China!

Emissão de carbono

Como o maior emissor mundial de gases do efeito estufa, a China enfrenta críticas generalizadas da comunidade internacional. Pequim também enfrenta pressão interna para lidar com questões ambientais, mantendo o crescimento econômico.

A China prometeu reduzir sua intensidade de emissões em 60% a 65% como parte do Acordo de Paris. A forma como o país gerencia esses desafios afeta tanto sua capacidade de emergir como líder em desenvolvimento sustentável quanto tecnologicamente.

A China fez um esforço concertado para reduzir as emissões industriais. Em 2018, Pequim introduziu um plano de ação para atender aos padrões de “ultra baixa emissão” até 2020.

Também está atualizando sua rede elétrica com usinas mais eficientes, que produzem mais energia com menos carvão. Esse impulso elevará os padrões bem além daqueles atualmente em vigor nos EUA. De acordo com o Center for American Progress, até 2020, “todas as usinas de carvão que operam nos Estados Unidos seriam ilegais para operar na China”.

Outras medidas impulsionadas pelo estado incluem a introdução de captura e armazenamento de carbono. O projeto, todavia, ainda permanece nas fases iniciais do desenvolvimento.

Outras mudanças podem ajudar ainda mais a China a reduzir suas emissões de dióxido de carbono. Segundo a US Energy Information Administration, a China está aumentando seu uso de gás natural. Em comparação com o carvão, o gás natural emite 50 a 60% menos carbono durante o processo de combustão.

Relação Brasil x China

A importância que a China exerce hoje na economia brasileira é gigantesca. Não só é o país que mais importa produtos brasileiros, como é o maior investidor estrangeiro no país.

A China cumpre um papel fundamental ao investir em infraestrutura por aqui. Afinal, a maior parte das empresas brasileiras que podem investir neste setor no Brasil estão citadas na Lava Jato. Portanto, elas acabam afastando investidores estrangeiros, mas a China é o país que está comprando as concessões destas empresas.

Nos últimos anos, aviões regionais brasileiros estão operando no mercado chinês. Dessa forma, os drones de alta tecnologia fabricados da China estão presentes no Brasil. E, assim, satélites de sensoriamento remoto desenvolvidos pelos dois países estão orbitando a Terra.

Além disso, a cooperação bilateral nas áreas de energia limpa, economia digital e manufatura sofisticada já estão prestes a decolar. Cada vez mais projetos de alto nível e com maior valor agregado vão surgir. E, assim, o conteúdo tecnológico da parceria será cada vez maior.

Governos e empresas podem se beneficiar imensamente da inovação com parceiros e a China, certamente, é um parceiro para manter.

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